Relato Laguna 69 em Huaraz, Peru - Tudo o que você precisa saber

Trilha da Laguna 69 – Relato do rolê em Huaraz, Peru

Eu fui para Huaraz sabendo que provavelmente não conseguiria completar a trilha da Laguna 69, mas faria mesmo assim, porque é uma atividade da qual eu gosto. Imagina a minha surpresa quando vi aquela pontinha de azul surgir depois de tanto esforço!

Todo mundo que vai a Huaraz planeja fazer a Trilha da Laguna 69, mas nem todo mundo consegue completar a missão.

Acontece que a trilha de 14 quilômetros totais não é das mais fáceis. É subida pura (depois descida), a céu aberto e acima dos 4 mil metros de altitude. A ascensão da trilha da Laguna 69 é de mais de 700 metros. Os sintomas do soroche (mal de altitude), o calor misturado com o frio e o esforço físico faz uma seleção natural de quem deve alcançar ou não à lagoa azul das montanhas.

Relato da Trilha da Laguna 69

Eu podia ouvir meu próprio coração pulsando descontrolado no meu peito em meio àquele silêncio apaixonante das montanhas peruanas. Seria bem romântico, se a causa do coração acelerado não fosse a taquicardia causada pelo soroche.

A pressão já começa antes: acordar de madrugada e já ter lanche e água prontos para a trilha da Laguna 69, onde você não sabe se vai conseguir chegar!

A van da agência passou às 5 horas no hostel Andescamp, já que teríamos que iniciar a trilha às 9h. Uma das pessoas que subiram na van em que eu estava foi o Julio (fala-se Rúlio), um peruano de Lima com quem eu tinha feito amizade no dia anterior, durante a escalaminhada da Laguna Parón e que me chamou de Alina durante os dois dias HAHAHAHA.

Depois de tomarmos o café da manhã em um restaurante da estrada, chegamos ao Parque Nacional Huascarán e fizemos uma parada bem rápida em uma das Lagunas LLaganuco, só para fazer umas fotos, e seguimos para o início da trilha da Laguna 69.

O caminho dentro do parque é lindo do começo ao fim! Passamos por rios, cachoeiras e vacas, tudo cercado pelas lindas montanhas da Cordilheira Negra e Cordilheira Branca!

Laguna Llaganuco - Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru
Lagunas Llaganuco

A trilha da Laguna 69

O início da trilha da Laguna 69 é bem tranquilo, levemente inclinado, mas se engana quem acha que é só mandar ver no começo.

Mesmo sendo menos puxada, a altitude já está próxima dos 4 mil, ou seja, qualquer esforço físico já dá aquela sensação de “aí, tô tendo um enfarte aqui, socorro! ”.

Uns metros à frente começamos a subir as montanhas. A trilha da Laguna 69 fica um pouco mais fechada e acidentada, seguindo em zigue e zague. As paradas para recuperar o ar e normalizar os batimentos cardíacos começam a ser muito mais frequentes. Assim como a ingestão de água.

Manda folha de coca e chocolate para dentro e vai na fé!

O Julio também encarava o desafio da altitude na trilha da Laguna 69 e resolveu acompanhar o meu ritmo.

Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru
Júlio, meu amigo de trilha em Huaraz

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Comecei a trilha da Laguna 69 de camiseta e, chegando na primeira subida pesada, minhas costas estavam molhadas de suor. Os cabelos estavam presos e meu rosto tava vermelho de calor. Mas tem uma parte em que as montanhas “fecham” a trilha e fica muito frio e com ventos fortes e gelados. Tive que colocar a corta vento, touca e luvas para suportar o frio!

Põe casaco, tira casaco o tempo todo! Tá feliz, São Paulo?

Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru
Eu tava com um calor sem igual!

Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru
Agora tava um frio danado!

Eu já tava bem morta, quando vi o guia de um dos grupos. Perguntei se faltava muito e ele me disse que “ya completamos una de tres partes”, ou seja, fizemos um terço do caminho. Falou todo animado, mas eu fiquei bem chocada em saber que ainda faltavam 2 pedaços como aquele.

Subi mais um bom tanto da trilha da Laguna 69 e sempre aproveitava as paradinhas para tirar fotos e apreciar a vista. E que vista! Olhei para baixo e vi pontinhos coloridos descendo. Duas pessoas estavam desistindo. Tentamos gritar para que continuassem, mas eles estavam longe demais.

Depois de muita subida a céu aberto e o sol corando o rosto, chegamos a uma primeira lagoa, que está num espaço simplesmente lindo, plano e com um visual que já vale a pena. Havia uma barraca montada ao lado do rio e eu invejei muito quem passou a noite ali!

Nessa hora me bateu fome e resolvi parar para beliscar amendoim e uvas passas. No relógio marcava 11h e nós tínhamos até o meio dia para chegar na Laguna 69, mas não fazíamos ideia de quanto faltava. Paramos de comer (o que não levou nem 10 minutos) e seguimos.

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Vamos, Alina!

Havia um cara descendo e ele nos disse que faltava pouco. Só mais uns 50 minutos. Calculei 1h30, claro! Chegaria em cima da hora de descer, mas era possível chegar.

Meodeos do céu, SOS! Essa parte é a pior de todas. Memorize: depois do espaço plano, o bicho pega para geral!

Várias pessoas paradas, tentando dominar o próprio corpo para seguir mais dois passos antes de descansar de novo.

Éramos umas 7 pessoas enfileiradas, se entreolhando e tentando não desanimar os outros.

Eu calculava o tempo a mais para evitar frustrações e o Julio fazia o contrário: “Vamos, Alina! Solo más 10 o 15 minutos. Estamos cerca!”.

Algumas pessoas já estavam descendo. Olhei no relógio e marcava 11h30. Achei que não conseguiria, mas a galera nos encorajou dizendo que só faltava mais 5 minutos.

 

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Trilha da Laguna 69 – Missão cumprida!

5 minutos que duraram 15, na verdade. Mas acabaram! “Eu consegui, porra! Chegamos, Julio!” Falei em português mesmo, mas acho que o Julio entendeu pela entonação da minha voz. Qualquer língua se entenderia naquela hora.

Senti um nó na garganta e segurei o choro. A trilha da Laguna 69 tinha sido cansativa e difícil, mas eu terminei! Glorifiquei de pé.

E não é apenas chegar a algum lugar! É chegar na Laguna 69, com sua água de um azul intenso, as montanhas nevadas criando um lindo esconderijo, por onde as cachoeiras de degelo glacial descem até se tornarem parte da lagoa mais desejada de Huaraz.

Juro que não havia criado expectativas, mas quando cheguei foi a maior emoção!

Cheguei faltando 15 minutos para o tempo indicado, que era 12h. Passei mais de uma hora lá, curtindo minha vitória e aquele visual incrível com 4 brasileiros e o peruano. Ah, em falar em brasileiro, o carioca foi o único que entrou na água gelada de um lago criado pelo degelo de glaciares. Tem que ter coragem!

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E eu dei tanta sorte! A previsão era de tempo fechado, mas o céu tava completamente despegado, como falam os peruanos. Poucas nuvens e o sol deixando a cor da Laguna 69 ainda mais linda e intensa!

O indicado era iniciar a descida às 13h para poder chegar no carro às 15h e eu conheço meu corpo, né? Faltavam 15 para as 13h quando eu comentei com o Julio que queria começar a descer, mas ele me pediu 10 minutos.

Nessa hora chegaram as últimas pessoas e com a maior cara de morte. Eles teriam apenas 10 ou 20 minutos, mas chegaram e eu parabenizei sim!

Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru

Ainda não acabamos! Falta descer

Essa foi a segunda vez na vida – também no Peru, saudades Machu Picchu – que eu cantei “Se meus joelhos não doessem mais diante de um bom motivo que me traga fé.”

A descida simplesmente acabou comigo! Para mim, foi menos sofrido subir que descer. É que eu tenho o joelho fraco e sinto muitas dores e cansaço. Além dos dedos pegando na bota!

Eu não aguentava mais andar. Não tinha mais força nas pernas e minha água tava acabando. Nossa, que tortura. Eu me arrastava e suava frio. Via as vans estacionadas e quanto mais eu andava na direção delas, mais pareciam afastadas.

A falta de água era a pior coisa! Não sabia se poderia beber a água do rio e o Julio também não tinha mais.

Cheguei 15h10 na van. Parecia bêbada, andando torto e com a cara torta! Não tinha nem voz por causa da garganta seca.

Eu morri? Morri! Faria de novo? Certeza!

Na van, cansados, todos em silêncio. Uns dormindo e outros, provavelmente, revivendo cada respiração ofegante, cada palpitação, cada metro conquistado durante a incrível trilha da Laguna 69.

Gracias, Pachamama! Gracias, Peru!

Minha viagem a Huaraz

Passeios

Glaciar Pastoruri
Laguna Parón
Laguna 69
• Chavín de Huántar

Gastos

S/ 420
R$ 440
USD 130

Rotas

Lima
em ônibus
⇐ Lima
em ônibus

Hospedagem

Hostel Andescamp – USD5 / dia (comp.)
Hostal La Cabaña – UDS8 / dia (indiv.)

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Trilha da Laguna 69 - Relato de como foi vencer a trilha que leva à Laguna 69 no Parque Nacional Huascarán, en Huaraz - Peru

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  • Analy (23 de novembro de 2017)

    Nossa sofri junto com vc nesse relato rsrs eu já fui pro Peru mas só fiz Machu Picchu e o vale sagrado… Mas tudo de maneira fácil e já sofri com a altitude por lá… imagino fazer trilha na altitude .. pretendo ir pra Huaraz ano que vem … Vamos ver oq eu aguento ..
    Quanto ao joelho menina do céu eu posso entender oq vc passou pq passei igual esse ano … eu fui fazer o circuito W em Torres del Paine e as trilhas em El Chalten.. posso te dizer que desde o primeiro dia no circuito na descida das Torres começou o meu sofrimento… consegui vencer ?? Fazer mais de 180 km de trilha ?? Sim consegui menina… Mas só Deus sabe como e a base de analgésico forte …
    Ano que vem bora mais uma aventura rs
    Parabéns pelo relato

    • Aline Rodrigues (24 de novembro de 2017)

      Oi, Analy! Não acredito que seu joelho sofreu no Circuito W e El Chaltén! Quero fazer essas trilhas em abril. Agora tô me cagando de medo aqui HAHAHAHAHA. Já vou procurar um ortopedista rs. E você também vai se preparando para fazer as trilhas de Huaraz, hem! Aí a gente troca figurinha de sofrimento de novo 😀

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