Como e quanto é o passeio pelo Salar de Uyuni + Relato de 3 dias e 2 noites

Paisagens inesquecíveis, com ares de paraíso. Não tem como resumir melhor o passeio pelo Salar de Uyuni.

São cores marcantes, animais silvestres, desertos, lagos e tanta coisa linda que podemos ver em 3 ou 4 dias de viagem.

Nesse post relato como é o dia a dia do passeio. Além de dicas e informações úteis. E tem bônus de uma história super legal que vivemos.

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>>> VEJA O RELATO FOTOGRÁFICO DO PASSEIO PELO SALAR<<<

ícone mapaOpções do passeio

Você pode partir para o Salar de Uyuni, como é chamada a excursão, a partir de Salta (Argentina), que é bem menos comum, da cidade de Uyuni (Bolívia), que é o mais barato ou de San Pedro do Atacama (Chile), que é o mais comum.

A maioria dos brasileiros fazem um roteiro que inclui Chile, Bolívia e Peru, e mais da metade parte para o Salar de Uyuni do Atacama, mesmo que da Bolívia o valor do tour seja quase a metade do preço. De qualquer lugar que seja, há saídas diárias.

Outra opção é a duração do passeio. Pode ser full day, 3 dias e 2 noites ou 4 dias e 3 noites.

Full day – Você sai de Uyuni e parte para conhecer o deserto de sal e retorna no mesmo dia.

3 dias – É a mais a opção mais feita pelos visitantes, porque você pode embarcar em Uyuni e ficar no Atacama no final do tour (ou vice-versa).

4 dias – A última opção é a de voltar para a mesma cidade em que começou o passeio. O dia último dia é basicamente volta, sem muitas paradas.

Salar de Uyuni - Bolívia

ícone mapaQuanto custa e o que está incluído

*preços atualizados em 03/08/2017

Full day – USD50 

Cada agência trabalha de uma maneira, mas geralmente o serviço prestado inclui:

  • Veículo 4×4
  • Guia
  • Almoço, petiscos e bebidas
  • Entrada

3 dias saindo do Atacama ou de Uyuni 

Cerca de USD 160 (110 mil pesos chilenos ou 1195 bolivianos – R$528)

Comprei na agência mais barata que encontrei em San Pedro do Atacama. À época, o de 3 dias estava cerca de 100 mil pesos chilenos e eu paguei 90 mil, que pelo câmbio que fiz em setembro/2015 saiu por R$560 (o real tava bem ruim, cerca de R$4,07 por dólar).

Encontrei uns brasileiros que vieram da Bolívia e pagaram cerca de R$370. Obrigada por me contarem e me deixarem puta que pariu da vida!

4 dias saindo do Atacama ou de Uyuni 

Cerca de USD 200 (130 mil pesos chilenos ou 1425 bolivianos – R$624)

Não se preocupe quando dizem que “as agências mais baratas saem caras”. Você compra com uma agência e ela te enfia no carro de outra empresa. Minha viagem foi a melhor do mundo.

Relato do Passeio pelo Salar de Uyuni - como é

> O que está incluído no pacote:

  • Transporte em 4×4
  • Refeições (na empresa que fiz eram 4 por dia)
  • Hospedagem (todas as empresas hospedam nos mesmos locais)
  • Guia

As entradas não estão inclusas. São Bs150 (Bs é bolivianos) da entrada da Reserva Nacional Eduardo Avaroa + Bs6 das termas + Bs30 da Ilha Incahuasi (Ilha do Pescado ou Ilha dos Cactos).

ícone mapa Relato – como é o dia a dia do passeio

Salar de Uyuni - Bolívia

Vou falar do tour que fiz, que foi do Atacama o de 3 dias e 2 noites.

Compramos na noite anterior na agência Andean Salt, na Caracoles, rua principal de San Pedro do Atacama. Era a mais barata.

Na manhã seguinte, perto das 7h30, um micro-ônibus da empresa Estrella passou no hostel para nos pegar. A partir desse momento começa o passeio.

1º dia

Seguimos até a fronteira de Paso Jama para dar a saída do Chile. Depois disso seguimos até a aduana boliviana para dar a entrada. Ali se cobra o equivalente a 5 mil pesos, mas que estava incluso no valor do passeio.

Tomamos café da manhã e tava uma delicia. É um bom momento para conhecer as pessoas, porque os grupos vão se dividir nessa hora. O passeio é feito em um 4×4 e cabem 6 pessoas, além do motorista-guia.

Quem diz quem vai em qual carro é o motorista do micro-ônibus. Tomara que você dê a sorte de pegar um grupo legal como o meu.

O carro que embarcamos era da empresa Colcca. Os guias vão ser sempre bolivianos e acho que pouquíssimos falam inglês.

A primeira parada é no Controle do REA (Reserva Nacional Eduardo Avaroa), onde estão as lagunas e a maioria das atrações do passeio. Essa é a hora de desembolsar Bs150.

Salar de Uyuni - Bolívia

Laguna Blanca – Salar de Uyuni

Salar de Uyuni - Bolívia

Laguna verde – Salar de Uyuni

A primeira atração é a Laguna Blanca, depois é a Laguna Verde. As duas são lindas! O cenário é deslumbrante, gente!

Segue-se por algum tempo e chega-se ao Deserto de Dali. Super interessante! Parece pintura.

Salar de Uyuni - Bolívia

Deserto de Dali – Salar de Uyuni

Próxima parada: terma. O clima tava agradável e eu tive coragem de entrar, diferente dos Geyseres del Tatio, no Atacama, que a temperatura externa tava -12º. Temos uns 30 minutos ali. É bem gostoso e o visual é demais!

Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Terma no Salar de Uyuni

Depois, Geyser Sol de la mañana. Um cheiro de enxofre danado, mas é bem bonito. Tem uns buracos com fervuras e o barulho é bem assustador.

Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Geyser Sol de Mañana

Dali seguimos por bastante tempo até o nosso refúgio, de frente à Laguna Colorada. Era cerca de 13h30. Achei cedo e fiquei um pouco decepcionada, porque achei que veríamos coisas o dia todo, não apenas meio dia.

Conhecemos nosso quarto e esperamos cerca de 40 minutos até que o Jhon (o guia) trouxesse o almoço. Foi salsicha com purê de batata e salada. Eu não gostava de purê até esse momento. Não tinha opção e acabei gostando 🙂

Depois de comer, o Jhon explicou o porquê de a Laguna Colorada ter aquela cor, explicou sobre a trilha e deu maiores instruções. Nós iríamos sozinhos. Eu curti, porque assim ficamos mais livres para parar e curtir como quiser.

Dez motivos para viajar pela América do Sul

Laguna Colorada – Uyuni

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Fomos nós 6 juntos: eu, o Rodrigo, um casal alemão, um chileno e um argentino. A trilha é sussa, mas na altitude tudo é um caos. De andar um pouco eu me sentia cansada. Era sempre a última, mas o grupo era demais e sempre me esperava.

A Laguna Colorada é a coisa mais incrível de todo o passeio, na minha opinião. É uma mistura de cores, que parece ser pintura.

Subimos no mirador e passamos horas por ali. Foi olhando aquela água colorida que aconteceu uma coisa muito legal e importante, que vou contar no final para não perder o fio da meada (que termo brega).

Laguna Colorada, Salar de Uyuni - Dicas na Bolívia

Laguna Coloroda

Era umas 16h30 ou mais quando decidimos voltar. Tava esfriando e lotando de gente. No caminho de volta começou a ventar de uma forma que eu nunca tinha visto na vida. Eu, que sou gordinha, quase voei. Dó de quem pesa uns 20 kg a menos que eu hehe!

Quando chegamos o John preparou um café da tarde. Tinha bolacha de água e sal, além de café e chá de vários sabores, incluindo de coca.

O resto da tarde e noite foi reservada para que a gente ficasse mais amigos.

É nesse refúgio que não há banho. Mas eu nem liguei, porque tava um frio do cacete e não tiraria minha roupa nem a pau.

Não há luz também. Só liberam depois das 19h. Esqueça a chance de carregar sua câmera e suas outras coisas.

Mais tarde o Jhon trouxe o jantar – mais um desafio gastronômico para mim. A entrada foi sopa de legumes e pão. Comi caldo e pão. A gente tava achando que seria só isso, mas chegou o prato principal: espaguete ao sugo. Mas eu não comi, porque o molho tinha muito tomate e cebola. A chata aqui não gosta! Mas tava tudo bem, porque o caldo com pão tava uma delícia e comi bastante.

Os meninos brincaram de cartas, contaram histórias, fumaram maconha e fomos dormir.

2º dia

Acordamos cedo, tomamos um café delicioso e seguimos bastante até o deserto onde está a Arbol de Piedra (Árvore de Pedra). Ela é linda e todas as outras formações por ali também. Amei essa parte!

Salar de Uyuni - Bolívia

Arbol de Piedra

Seguimos para as Lagunas Altiplânicas. Uma mais linda que a outra. Uma delas tinha mais flamingos que a Colorada e muito mais próximos da margem. Pirei e cliquei loucamente, sabendo que além de carga, não tinha muito espaço no cartão. Ficamos um bom tempo por ali. Foi demais.

Salar de Uyuni - BolíviaSalar de Uyuni - Bolívia

Seguimos e rodamos mais um tempão. Esse dia é o dia da travessia, viu. Andamos muito, até chegar em umas formações rochosas com vista para um vulcão ativo. Ali o guia iria preparar o almoço. Enquanto isso poderíamos percorrer aquilo tudo.

Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Vulcão ativo que falei

O mais incrível foi que eu imaginei que tudo seria cheio, mas o Jhon manjava dos paranauê e só cruzamos com outros seres humanos na terma. Nem no refúgio não havia outro grupo.

O almoço foi outro desafio: salada (que sempre dispenso), arroz e atum. Bora mandar atum pra dentro. Com fome, aquilo tava demais. Uma Coca-Cola pra ajudar e pronto. Mexerica de sobremesa.

Rodamos até a próxima parada… forçada. Uns coelhos (ou animal parecido, que eu chamo de coelho de qualquer forma), atravessaram nosso caminho. O Jhon é um fofo e, além de parar o carro, jogou uns pães para que eles ficassem mais perto da gente.

Salar de Uyuni - Bolívia

Paramos, depois de um tanto de minutos, em um pedacinho do salar, mas que tava sujo de terra e não tinha tanta graça, mas havia um trilho do antigo trem, que aliado  ao deserto cria um cenário lindo.

Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Mais tarde paramos em um povoado e os meninos provaram cerveja de coca, de mel e de quinoa num bar chamado 5mentarios (sem em espanhol é sin).

Provando as cervejas da Bolívia

Rodamos mais um monte e chegamos no hotel de sal. Fomos os primeiros a chegar, porque o Jhon é demais e sabia que mais tarde iria ser foda tomar banho.

Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Hotel de Sal

Pegamos os melhores quartos, colocamos as coisas para carregar no único molho de tomadas que tinha, tomamos café da tarde e começamos os banhos. Ainda faltava o chileno, James, quando a galera começou a chegar. A fila do banho ficou caótica e a busca pelos quartos perfeitos começaram. A briga por uma tomada também. E olha que a gente tem uma extensão, que emprestamos pra galera.

Ficamos ensinando o Francisco e o James (argentino e chileno) a falarem português. Foi a coisa mais engraçada do mundo ver eles tentando falar inho e ão. O James amou cachorrinho, cachorrão e cuzão.

O jantar chegou. Preciso dizer que era outro desafio? O prato era Picamacho (salsicha, batata frita, cebola, ovo, ketchup, maionese, tomate e pimenta). Ainda bem que teve sopa de entrada, aí eu comi o caldo com pão de novo. O Jhon trouxe vinho (éramos os únicos que tínhamos vinho para o jantar) e brindamos à Bolívia e ao John.

Fomos dormir cedo, porque no dia seguinte levantaríamos bem antes das 5h.

3º dia

Levantamos umas 4h30, porque veríamos o sol nascer do alto da Ilha dos Cactos, ou Isla del Pescado.

No caminho só a imensidão branca do salar e os raios de sol anunciando mais uma manhã. Coisa linda!

Chegamos um tempo depois na ilha. Paga-se Bs30 e dale escada. Eu fiquei muiiiito cansada e quase não subi. Mas valeu a pena, porque as cores e o visual são incríveis.

Salar de Uyuni - Bolívia

Nascer do sol na Isla del Pescado

Descemos um tempo depois e nosso café estava pronto. Depois disso, partiu salar!

O carro rodou bastante e paramos no meio da imensidão de sal. Provei o chão, claro! E tiramos fotos clichês, claro!

Salar de Uyuni - Bolívia

O querido John tinha um dinossauro e um Godizilla no carro 🙂 Piramos! Ele mesmo tirou as melhores fotos pra gente, porque já tá ligado nos esquemas.

Salar de Uyuni - Bolívia Salar de Uyuni - BolíviaSalar de Uyuni - Bolívia

Depois disso seguimos para o Museu de Sal, mas tava todo mundo com sono e cansado de pular e ninguém quis descer.

Salar de Uyuni - Bolívia

Mais tarde chegamos ao Cemitério de Trens e almoçamos. Dessa vez foi sussa: arroz com frango. Mal sabia eu que dali pra frente eu só veria frango, até chegar no Equador.

Cemitério de Trens - Relato do Passeio do Salar de Uyuni

Cemitérios de Trens

Embarcamos mais uma vez. Na verdade, pela última vez. Seguimos até o escritório da Andean. Deixamos um recado de agradecimento para o John e nos despedimos (não muito, já que seguimos viagem com o Francisco e o James).

ícone mapa Uma história de troca e amizade

Francisco é um argentino que, como a gente, largou o trabalho e saiu para viajar pelo continente por 3 ou 6 meses, também como a gente.

Enquanto estávamos no alto do mirador da Laguna Colorada, o Rodrigo olhou para ele e comentou comigo: que estranho um argentino sem mate. E decidiu perguntar.

O cara respondeu: eu ando com mate, mas minha mochila pequena foi roubada e minhas coisas do mate estavam lá.

Ficamos curiosos e perguntamos como ele havia sido roubado.

O Francisco, que tá solo, contou que conheceu um garota argentina que estava trabalhando em Salta e que se ofereceu para seguir com ele. Creio que estavam indo à Tilcara. Enquanto estavam na rodoviária, ele pediu para a menina olhar as coisas dele rapidinho e foi comprar um chocolate. Quando voltou, um minuto depois, sua mochila menor não estava, muito menos a garota.

Ela levou com a mochila, além do mate, cartões, itens mais usuais e uma câmera recém comprada com todas as fotos de Salta e Tucumán.

Ele levou na boa e contou sem ressentimentos. Eu fiquei furiosa. O Rodrigo também. Poxa, que pessoa ruim, né? O cara gastou dinheiro e investiu numa câmera boa para registrar a viagem da vida dele e agora tava usando um Moto E para tirar fotos.

Ficamos em silêncio por uns minutos. Olhei para o Rodrigo e disse: Mo, tô pensando numa coisa. Ele respondeu: eu também. Me arrepia lembrar!

Nós dois tínhamos pensado na mesma coisa, numa sintonia que confirmava que estávamos certos. Nós compramos também uma câmera melhor, mas levamos a antiga junto para o Rodrigo usar (ele não é chegado em tirar fotos). Uma Fuljifilm S2980, boa, com 14 mp, 18x de zoom ótico, com opções de fotografia, inclusive panorâmica e 2 cartões de memória. O Rodrigo mal estava usando. Não poderíamos devolver a ele as fotos de Tucumán e Salta, mas a câmera sim.

Mais tarde, no refúgio, passamos as fotos que estavam nela para o computador e entregamos a câmera para o Francisco. Recebemos um abraço apertado e contamos para ele que sua história também tinha nos ajudado.

Eu estava emputecida (muito mesmo) porque passamos por vários perrengues. Um atrás do outro, inclusive tinha perdido meu celular (também um Moto E) uns dias antes e tinha chorado loucamente, dizendo que só comigo essas coisas aconteciam e me sentindo a pessoa mais azarada do mundo. Mas escutar uma história pior que a minha e sem ressentimentos me fez perceber que estou sujeita como qualquer um, que quando saímos de casa corremos riscos, mas o que muda é a forma como encaramos essas experiências. O Francisco me ensinou a aceitar melhor.

No final de tudo, ganhamos um amigo!


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Tudo sobre o passeio de 3 dias pelo Salar de Uyuni, na Bolívia

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11 comentários sobre “Como e quanto é o passeio pelo Salar de Uyuni + Relato de 3 dias e 2 noites

  1. Que legal as fotos! To programando a trip pró ano que vem e tenho algumas dúvidas, por acaso você não empresta um pouco de conhecimento e paciência pra ouvir algumas dúvidas? Kkkkkkkkkkkkkkkkk

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  4. Essa história do Francisco…. apesar de triste, és linda! Saber que ele não carregava ódio, e de quebra foi presentado, mostrando que apesar de tudo existem pessoas boas. E mostrando pra vocês (e pra nós) que devemos perdoar e desapegar. SENSACIONAL

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