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Mochilão na América do Sul -7 coisas que aprendi na estrada

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Passei 137 dias longe de casa. Caminhei muito, peguei de carona, dormi de favor, passei fome, senti calor e frio. Assim foi meu Mochilão na América do Sul. Entre os medos e as inseguranças, entre as belezas e as melhores experiências, aprendi 7 coisas e quero compartilhar com você.

Em 5 meses de mochilão na América do Sul eu aprendi coisas que não nos ensinam em casa, na escola, no trabalho e nem nos livros.

7 coisas que aprendi em um mochilão na América do Sul

Aprendi que…

Não preciso de um guarda-roupas cheio

Na mochila de 50 litros eu tinha 2 vestidos, mas no guarda-roupas eu tenho mais de 20. Na mochila eu tinha um chinelo, uma bota de trekking e uma sapatilha, mas na sapateira eu nem tenho mais espaço. Um biquíni, uma toalha, duas calças… Tive que me virar com o que tinha e a frase “Não tenho roupa” não foi dita nenhuma vez.

Noa dia a dia a gente preencher um espaço na sociedade e ter roupas diferentes e na moda é parte disso. Durante meu mochilão na América do Sul eu não precisei comprar nada! Foram 5 meses usando as mesmas roupas.

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As pessoas são boas

Eu precisei de muita gente ao longo do caminho. Pessoas que eu não conhecia, nem perguntei o nome e nunca mais vou voltar a ver. Pessoas que pararam tudo para me ensinar como chegar a algum lugar, que me ofereceram um lugar para dormir, que abriram as portas dos seus veículos para me levar, que me deram comida e até me fizeram rir.

Não encontrei ninguém ruim, ninguém que tenha tentado me tirar algo ou que tenha me machucado. As notícias ruins são as que dão ibope nos jornais, mas as boas são aquelas que a gente vive todos os dias.

 

Esse é Maurílio, que deu carona pra gente no Brasil

Temos que valorizar os que nos atendem

Durante meu mochilão na América do Sul eu trabalhei pra juntar uma grana.

Limpei quartos em uma pousada do litoral peruano e alguns deles estavam em um estado completamente desnecessário. Aposto que a pessoa que deixou aquilo para alguém limpar nunca pensou no trabalho que daria. Deu dor nas costas recolher papeis picados em lugares que a vassoura não alcançava.

Também trabalhei como garçonete no norte brasileiro e me sentia bem quando um cliente perguntava meu nome ao se sentar e me chamava de Aline até a despedida.

Também vendi geladinho (sacolé, dim-dim, dudu, chopão…) de caipirinha e era desagradável quando oferecia para alguém e era ignorada. Mas sorria quando a negativa era seguida de um sorriso e um “muito obrigado”.

Olhar nos olhos das pessoas que atendem nossa mesa, pensar em quem vai limpar nossa bagunça e ser simpático com quem te aborda é simples e importante para o outro. Não custa nada!

Como é trabalhar durante a viagem

Na labuta no Mãe Natureza

Não é preciso muito para ser feliz

Porque escolher Alter do Chão como seu próximo destino de viagem

Canto do Chorinho em Alter do Chão

Passei por aldeias indígenas, comunidades pobres e bairros caros. Pode adivinhar quem estava sorrindo e sendo hospitaleiro? Sempre os mais pobres.

Enquanto as pessoas mais endinheiradas se fecham em suas prisões de luxo, com medo que lhe tirem suas conquistas, as pessoas que não têm nada estão de portas abertas, te convidando e interagindo. Elas confiam nas pessoas, até porque quase não possuem nada para que alguém leve embora. Elas têm liberdade para serem felizes, sem medo, sem culpa, sem desconfiança e isso é tudo.

Que as energias boas que você envia, voltam

Laguna Verde - Salar de Uyuni - Tudo o que você precisa saber sobre o passeio

Laguna Verde na Bolívia

Ainda no começo do Mochilão na América do Sul, quando eu tinha medo de as coisas darem errado, ou de ser roubada, etc, muitas coisas deram errado mesmo. Como meu cartão do Itaú ter sido bloqueado e ter que voltar ao Brasil sozinha de Salta ou como ter perdido meu celular no Atacama.

Depois que eu aceitei tudo de coração aberto, decidi não temer e nem me preocupar o tempo todo, tudo deu certo. Passei apuros, mas ria mais que me preocupava. Isso era a minha energia leve voltando pra mim.

Que quanto menos emoções a gente vive, mais de coisas a gente precisa

Se eu estava curtindo o dia, como no passeio pelo Salar de Uyuni, me sentia satisfeita com o que estava vivendo. Mas se fosse um dia mais vazio, como caminhar em cidades grandes, eu sentia necessidade de comer e de comprar (e por questões financeiras eu não fazia nem um, nem outro).

Desde que voltei para casa, há um mês, a vontade de ter coisas só aumenta, mas quando estou viajando ou vivendo momentos incríveis, nem me lembro de precisar de nada.

Parece que a gente busca em bens materiais a sensação de satisfação e de felicidade, mas que são passageiras e não são verdadeiras. Quanto mais emoções sua vida tem, menos você necessita de coisas.

Que um dia ruim é só um dia ruim

Como chegar a Machu Picchu pela hidroelétrica

Eu tava tendo um dia ruim, até que o sol se abriu 🙂

Quando alguma coisa dava errado, eu achava que o universo queria me dizer alguma coisa ou que eu tava no caminho errado. Tinha certeza que eu era a pessoa mais azarada do mundo, mas durante meu mochilão na América do Sul descobri que todo mundo tem dias ruins.

A câmera de um foi roubada; o outro não reservou o hostel e ficou sem lugar para dormir; alguém que perdeu o voo… Todo mundo tem dias ruins e isso não quer dizer nada, apenas que viver é estar sujeito a tudo que há de bom e ruim. Depois que eu resolver (ou não me preocupar com algo sem solução), o dia ruim vai passar.

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