Puno - Ônibus de viagem no Peru - Alerta de segurança para mulheres viajando sozinhas

Ônibus de viagem no Peru – Alerta de segurança para mulheres

Meninas, esse textão é pra vocês que viajam solo pelo Peru de busão.

Primeiro, quero tranquilizar as manas que estão planejando a trip, porque foi a melhor viagem ever e me senti segura em quase todos os momentos. Mais do que me sinto descendo a rua de casa depois das 19h. Apenas vá!

Agora vai meu relato e meu alerta de segurança para mulheres

Eu estava em Puno e iria para Cusco. Comprei minha passagem pela empresa Titikaka, que vem de La Paz, passa por Copacabana (ambos na Bolívia) e Puno, antes de ir para Cusco.

Comprei a passagem por 15 soles uma hora antes do horário marcado de saída, que seria às 21h30.

O funcionário da empresa me deu uma folha de papel com a ilustração de um ônibus e me pediu para escolher um assento, devendo colocar meu nome, idade, nacionalidade e número do documento.

Escolhi o assento 17, na janela. Não havia ninguém sentado ao meu lado, até então. Mas com tantos lugares em branco e faltando uma hora para a partida, era certo que eu iria ficar com os dois lugares para dormir feliz e menos desconfortável durante as 8 horas de viagem.

Às 21h20 eu estava embarcando com meu saco de dormir e meu descanso de pescoço.

No andar de cima, havia uns 6 assentos ocupados, sendo dois deles por duas brasileiras, com quem eu fui logo puxando assunto. E com tempo, já que o ônibus atrasou uma hora para sair.

Já nos últimos minutos de atraso, umas 4 pessoas entraram e uma delas era um cara de uns 28 ou 30 anos que ocuparia o assento 16.

Comentei com a Julia e com a Priscila que, se estivesse vazio na partida, eu iria mudar de lugar para poder ter mais espaço pro sono.

E uma verdade sobre mim é: tenho medo de homem e dormir ao lado de um desconhecido no breu de um busão quase precário não me deixava confortável.

Guia Peru - Informações para você planejar sua viagem ao Peru

Pra ajudar, ele resolveu puxar assunto comigo:

De onde você é?

Ah, do Brasil. Que legal!

Quer sentar na ponta com suas amigas?

Ah, prazer sou o fulano (beijou meu rosto e eu sem saber como reagir)

Primeira vez no Peru? Não? Então gostou, porque voltou, né?

Por onde viajou dessa vez?

E por quais países você já passou?

Qual gostou mais?

E a comida, o que que tá achando?

Ele não parava de me entrevistar. Bocejei, falei que sou casada há anos (já que a maioria dos homens só respeitam outros homens), mexi no celular… E ele continuou:

Eu tenho namorada há 8 anos.

Me passa seu whatsapp.

Ah, não usa. Me passa seu Facebook.

Ah, também não tem. Que pena!

O ônibus já estava andando havia uns minutos e os lugares estavam quase todos vazios. Disse para ele que mudaria de lugar para que eu pudesse dormir com mais espaço e o cara, todo gentil (ironia), disse que ele se mudaria pra eu ficar perto das minhas amigas (que ele nem imaginava que eu tinha acabado de conhecer, ufa!).

Me deu outro beijo no rosto e saiu. Só que o cara se sentou atrás de mim!

E se você está se perguntando por que eu deixei o cara fazer esse monte de perguntas e ainda me dar dois beijos no rosto, é porque eu não consigo ser grossa ou direta com quem tá parecendo ser legal comigo sem ser claramente escroto. Eu fico paralisada, dou sorrisos amarelos, respostas curtas, minto, mas não consigo – por mais que eu tente muito – ser direta e grossa! Vamos fazer terapia pra mudar isso, sim!

Enquanto ele me assustava sentado no banco de trás, eu me lembrei do papel que preenchi quando escolhi o assento 17.

Aline, 29 anos, brasileira

 

 

Trilha da Laguna 69 - Relato de como é a trilha em Huaraz, Peru

Gente, ninguém compra um assento no corredor, ao lado de uma pessoa desconhecida, em um ônibus noturno e com tantos lugares vazios. Ninguém faz isso! Ninguém!

A não ser que esse alguém tenha intenções de flertar, assediar ou coisa pior.

Uma mulher brasileira sozinha no assento 17 foi o suficiente para um cara se achar no direito de se sentar no 16 e flertar!

Imagina o medo que eu passei a sentir nessa hora!

Demorei muiiito pra dormir e acordei a noite inteira. O que me deixava menos desconfortável, era saber que eu tinha duas manas brasileiras pra gritar ao menor movimento brusco!

Na manhã seguinte, perto das 6 horas e já em Cusco, o cara achou que seria legal me dar um terceiro beijo no rosto antes de descer. E a besta aqui não conseguiu se mover, nem evitar. Que raiva!

Meu alerta é: NÃO COLOQUE INFORMAÇÕES SOBRE VOCÊ NESSES CASOS.

Esse foi o único ônibus que eu usei em 17 dias de viagem que não tinha um sistema eletrônico, mas devem existir outros, tanto no Peru, quanto na Bolívia e em todo o canto do mundo.

Preencha seu sobrenome, ao invés do nome. Preencha BR no lugar de brasileira. Não coloque seu número de documento corretamente. Mude sua caligrafia se ela for bem “feminina”. E não preencha sua idade.

Se ainda assim você não se sentir segura, mude de empresa! Não tem economia que pague a droga do medo que eu senti daquele cara dormindo atrás de mim.

O assédio é algo real e corriqueiro nos países da América Latina e eu comentei isso nesse post.

E vocês viram as candidatas a Miss Peru protestando? Me arrepiei! Vejam aqui.

PS.: Vou escrever mais sobre os ônibus no Peru e vou citar as melhores empresas, preços e tudo mais pra te ajudar no planejamento da sua trip.

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  • MATHEUS CAVALLI RIBEIRO DA SILVA (3 de novembro de 2017)

    Olá tudo bem ? Quanto +- devo juntar caso eu deseje fazer uma viagem ao Peru ? Passa pelo Macho Pichu ?

    • Aline Rodrigues (3 de novembro de 2017)

      Oi, Matheus. A média de gasto para ir ao Peru é de R$100 por dia. Passa por Machu Picchu, sim, mas isso é mais caro.

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