Largando o emprego para viajar

Desde que nascemos a sociedade cria expectativas sobre nosso futuro. Nossos pais e professores se esforçam para que nosso estudo resulte em um bom emprego e largar tudo para viajar – a não ser que seja por um intercâmbio – te faz se sentir irresponsável.

Em contrapartida, não fazer a viagem dos seus sonhos te parece injusto e te faz se sentir preso e infeliz.

E agora? Como decidir se devo ou não largar tudo e partir para o mundo? Vou tentar te ajudar a tomar essa decisão baseada no que me fez me sentir segura a largar tudo.

Crie um projeto na viagem que tenha a ver com sua profissão

Eu batalhei bastante para ser Publicitária. Tendo irmãos mais novos e pais separados, tive que trabalhar para pagar a faculdade. Lia muito e me esforcei para conseguir trabalhar como Redatora e Conteúdo. Parecia maluquice deixar isso de lado para viajar, mas decidi criar o blog de viagem Uma Sul Americana.

Imagem dos Médicos Sem Fronteiras – http://www.msf.org.br/

Além de documentar a viagem e ajudar outras pessoas com as dicas e informações que posto aqui, o blog serve também como um portfólio para mim. Mostra meu estilo de escrita, a forma como estruturo um texto, meus conhecimentos de SEO e a forma como posso cativar e manter meus leitores.

Se você trabalha no setor financeiro, crie um projeto sobre economia mundial: impostos, custo de vida, planejamento financeiro, moedas… Se for Psicólogo, Sociólogo ou Assistente Social poderá fazer um estudo das várias sociedades que conhecerá na viagem: desigualdade, religião, costumes, etc. Se for Fotógrafo, então. Escolha um tema e faça fotos disso para o projeto. Se for Médico, Dentista, Enfermeiro, busque trabalho voluntário durante a trip. Advogado? Trabalhos pró-bono.

Com um projeto assim você usa sua viagem para enriquecer suas experiências profissionais.

ícone mapaLeia mais: A geração que percebeu que estava presa demais

Sua viagem no currículo

Uma pessoa que fez intercâmbio de 3 meses pode colocar no CV que estudou fora, mas e quem viajou o mundo por 2 anos?

Seu inglês, espanhol e qualquer outra língua estarão muito bons quando voltar de uma viagem de longa duração para o exterior. Por que não iria colocar no CV?

Não precisa colocar “Fiz um mochilão por 1 ano”, mas deve colocar “Morei no exterior por 1 ano e tenho grande vivência internacional”. Isso será pura verdade!

E caso tenha criado um projeto, coloque-o no currículo também.

O tempo da viagem é o tempo fora do mercado

Em 2014 eu estava trabalhando em um lugar que eu gostava bastante. Meu salário não era bom, mas gostava bastante do que fazia. Houve mudanças na empresa e fui demitida. Decidi ficar 3 meses de molho e passei mais 3 meses procurando trabalho. No total, foram 6 meses desempregada, exatamente o mesmo tempo que pretendo usar para fazer meu mochilão pela América do Sul.Fotos Minitrekking Perito Moreno

Algumas pessoas acham um absurdo ficar esse tempo sem trabalhar por causa da viagem, mas foi exatamente o mesmo tempo que fiquei desemprega. Qual a diferença?

Se a viagem que você planeja é de volta ao mundo, certamente passará pelo menos 1 ano e meio fora, mas se fosse fazer um intercâmbio poderia ficar o mesmo tempo fora sem problemas.

Enfim, o tempo que estará viajando é o mesmo tempo que estará fora do mercado e ele irá mudar inevitavelmente.

Se você se preocupa com sua carreira e profissão, não se mantenha tão afastado. Fique sempre em contato com colegas de trabalho, leia portais e revistas do seu mercado ou procure um trabalho remoto/freelancer. Eu estou procurando, porque é uma forma de levantar renda durante a trip e não se afastar do trabalho.

A hora do desligamento da empresa

Você tem três opções: ser demitido, pedir demissão ou pedir licença não remunerada.

No melhor das situações, você tem um emprego que ama e não precisa contar com o dinheiro da rescisão, então poderá pedir a licença. Enquanto estiver fora não receberá salário, mas terá emprego quando voltar. É como congelar o trabalho.

Acontece que a maioria das pessoas precisa muito do dinheiro, porque viajar, mesmo em um mochilão econômico, exige grana. Nesse cenário, a melhor situação é ser demitido. Para isso você precisa ter um chefe muito legal, que compreende sua necessidade e te demite. Assim você recebe a rescisão, o FGTS e os 40% de multa (que em acordos ilegais algumas empresas pedem para ser devolvido). Além disso, você poderá receber o seguro desemprego, se estiver enquadrado nas regras.

Imagem semprecanteierrado.blogspot.com

Imagem semprecanteierrado.blogspot.com

Agora pedir demissão te deixa apenas com o valor da rescisão, não tendo direito a mais nada. Se tiver trabalhado por 4 anos com um salário de, por exemplo, 2 mil, o seu FGTS + multa chegaria a cerca de 15 mil, mas esse dinheiro não poderá ser retirado da sua conta tão cedo. Ou seja, é a pior das situações.

ícone mapaLeia mais: Como juntar dinheiro para viajar

E então? Pedir ou não demissão do trabalho?

Essa decisão é algo muito pessoal. Depende do quanto você se esforçou por aquele emprego, aquele cargo, aquela profissão e o quanto deseja fazer a viagem que planejou.

No meu caso, quando decidi fazer o Pé no Mapa estava desempregada e comecei a trabalhar sabendo que tinha um prazo de validade – 1 ano. Não escolhi o que me faria mais feliz, nem o que me pagaria mais, porque sabia que aquilo me afetaria na hora de pedir demissão.

Acabei tendo sorte (ou azar, não sei bem) de não gostar de trabalhar nessa empresa. Suas políticas não condizem com a minha e se não fosse pelo mochilão, procuraria outro trabalho. Então para mim foi muito tranquilo.

Já para o Rodrigo foi mais difícil, porque ele gostava do trabalho e estava lá há quase 4 anos. Além de perder financeiramente (já que não conseguiu ser demitido), deixou seus colegas e também uma boa empresa, com bons benefícios. Mas se perguntar se ele se arrepende, dirá que não, porque a viagem é um sonho.

O que eu penso, e repito que é algo muito pessoal, é: trabalho se arruma outro, agora o tempo que passará não volta mais. Se você sentir no seu coração que essa é a hora de fazer essa viagem, faça!

Quer uma dica para tomar sua decisão? Se faça algumas perguntas e pontue de 0 a 10:

  • O quanto esse emprego me faz feliz?
  • O salário que ganho é bom?
  • O quanto me esforcei para consegui-lo?
  • Eu trocaria de emprego se tivesse oportunidade hoje?
  • Quanto animado eu acordo todos os dias para trabalhar?

Se a média das respostas der 5, quer dizer que seu trabalho é bem mediano. Tá na hora de começar a rever sua dúvida: por que valeria a pena deixar de viver meu sonho de viagem por esse trabalho?

Se a média der acima disso, repare na pontuação da primeira e ultima pergunta. Se elas forem baixas, você não está feliz e precisa se perguntar a mesma coisa acima.

Agora, se sua média foi a baixo de 5, não tenha dúvidas. Saia desse emprego de qualquer forma, mesmo para trabalhar em outro lugar.

Concluindo

Pedir demissão não é a coisa mais fácil do mundo e se afastar da sua profissão também, mas se você não viajar poderá se arrepender e isso te marcará para sempre, tanto quanto fazer a viagem.

Minha mãe me apoia muito nesse projeto de viagem e em uma das crises de dúvidas que tive ela disse: escolha aquilo que faz seu coração se alegrar e bater mais forte. Seu coração nunca se engana.

Então esqueça tudo o que eu falei e sinta o seu coração!

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Um comentário sobre “Largando o emprego para viajar

  1. Pingback: Passo a passo – como organizar uma viagem pelo mundo | Uma Sul Americana

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