A geração que percebeu que estava presa demais

Achava que só eu não sonhava com um plano de carreira de sucesso. Que só eu não queria passar oito horas ou mais dentro de um escritório. Gastar meu dinheiro com itens que não preciso. Levar horas no carro para chegar ao trabalho. Gabar-me pelos bens materiais que adquiri. Achava que só eu queria levar um estilo de vida diferente, mesmo que fosse por um tempo curto. Então percebi que não estou sozinha e que faço parte de um grupo de pessoas.

Essa geração de jovens adultos foi preparada para ter sucesso. Foi preparada não apenas para trabalhar, como seus pais, mas sim para vencer, alcançar cargos altos e possuir carreiras invejáveis.

Em contra partida, alguns resolveram largar tudo para viajar. Uns só por algum tempo e outros abriram mão de vez, mudando sua antiga área de atuação e sua vida de sucesso sonhada pelos pais.

O site ‘Nômades Digitais’ explica que essa é uma onda global formada pela vontade de viajar e pelo avanço da tecnologia. Para seus autores, a possibilidade de trabalhar via internet de qualquer parte do mundo está tornando as pessoas mais corajosas para buscarem uma forma leve e diferente de se sustentar e viver o sonho de liberdade, distante da competitividade dos escritórios e da forma exagerada de consumo.

Larissa e Carlos, autores do blog ‘Vida Cigana’ largaram empregos, casa e pertences no Rio de Janeiro para viajar o mundo sem data de retorno. A viagem já dura 10 meses e o casal tem vivido na Nova Zelândia de house sitting (quando você se hospeda na casa de uma pessoa que está ausente e vive como um caseiro, cuidando da residência, animais, jardim, etc. Saiba mais no blog deles).

nova zelândia blogs vida cigana

Vida Cigana – Nova Zelândia

Em breve os dois estarão na Austrália, onde pretendem continuar trabalhando. Carlos é arquiteto; Larissa é fotógrafa e os dois trabalham de forma remota com os clientes que já tinham no Brasil.

Já o casal do ‘Viajo Logo Existo‘, Rachel e Leonardo, deixaram seus empregos no mercado financeiro, alugaram o apartamento em que moravam em São Paulo, investiram em um carro 4×4 e partiram para uma viagem de mais de 3 anos de volta ao mundo. Os dois já passaram pelas Américas, Europa e agora estão na África. Suas fotos (incríveis) viraram dois livros, que publicaram de forma colaborativa.

Voajo Logo Existo - Costa Rica

Voajo Logo Existo – Costa Rica

Pouco antes de viajar eles se casaram e já estão na estrada há 26 meses. Dentre as experiências da viagem, que pode ser também chamada de lua de mel, Rachel e Leonardo se surpreenderam com o como as pessoas se tornaram o principal. Descobriram o quanto as pessoas querem ajudar e quanta bondade ainda existe nelas. Algo que só poderiam saber vivendo pessoalmente tudo isso.

Eles trabalham para que o blog dê retorno financeiro, além de vender suas fotos para bancos de imagens. Os livros e souvenirs fazem parte da forma que encontraram para tornar real a vida de nômades digitais.

Mas o que leva uma pessoa a largar “tudo”?

segredo da nova zelândia vida cigana

West Coast na Nova Zelândia – Vida Cigana

O que impulsionou o casal do ‘Vida Cigana’ foi o estresse do dia a dia em uma cidade grande. “Sempre achamos cruel esse estilo de vida. Somos jovens, então decidimos viver o que gostaríamos de viver agora, e não só durante 30 dias de férias ou quando aposentados.”, afirmaram.

Para o ‘Viajo Logo Existo’, o impulso veio da paixão por viajar. O casal conta, “Quando descobrimos que era possível fazer isso de carro, e morar no carro para assim viabilizar a viagem, pensamos, “por que não”?. Aí, começamos o planejamento, e já que era para pedir demissão, resolvemos já incluir tudo o que queríamos.”.

Miramar, Nicarágua - Viajo Logo Existo

Miramar, Nicarágua – Viajo Logo Existo

O Rodrigo e eu fomos impulsionados pela vontade de viajar e viver, mesmo que temporariamente, livres das amarras que a sociedade nos impõe desde que nascemos. E isso é o que tem levado muitos da nova geração de adultos a pedir demissão, se desapegar de seus bens materiais e viver seu próprio sonho de liberdade.

Rodrigo e eu em Torres del Paine, Patagônia chilena

Ainda bem que temos percebido isso antes que seja tarde!

É Libertador. Sinceramente não sentimos falta de nada disso e achamos que é um modelo de vida bastante limitador, pois você só acumula bens materiais e para obtê-los é preciso abdicar de muita coisa boa na vida.

– Vida Cigana.

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Um comentário sobre “A geração que percebeu que estava presa demais

  1. Pingback: Largando o emprego para viajar | Uma Sul Americana

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